(Assistido filme)
- Pô meu, mó blasé essa cena.
- É mesmo? Por que você acha isso?
- Meu! Você não percebeu? Olha só isso... (Rebobina a fita) Ahn?
- Ah, ainda não entendi.
- A cena?
- Não, o motivo de ser blasé.
- Não tem motivo, é simplesmente óbvio.
- Como óbvio? Me explica a obviedade do blasé na cena.
(Rebobina novamente)
- Não sacou?
- Saquei tudo, menos você achar blasé isso.
(Ela desliga a fita)
- Você está tentando me irritar?
- Claro que não, só quero saber o lance do blasé.
- Não tem o que explicar, simplesmente é.
- Não é, há de ter um motivo para ser.
- Não precisa, é algo intrínseco na cena, como se fosse a alma dela.
- A alma da cena?
- Tá me zoando?
- Não, que encanação, pô. Aliás, desencana e volta o filme.
(Pausa)
- Me explica, porque você não achou blasé.
- Eu não achei nada, você achou e eu queria saber o motivo. Mas você tá toda sensível.
- Não tô não. Você está sendo sarcastico o tempo todo.
- Eu não.
(Ela liga a fita, mas volta para a "cena blasé")
- Viu?
- Não. Vamos ver o filme.
(Rebobina novamente e fica muda. Ele tosse)
- Que foi?
- Nada meu.
- Essa tosse, o que foi ela?
- Achou blasé? hahahaha
- Vai te foder.
(Ela desliga a TV)
- Mas que porra! Qual o teu problema? Cadê o senso de humor?
- Foi pra puta que te pariu.
- Cacete, não sabia que era tão importante para você esse lance de blasé.
(Silêncio)
- Vou para casa. Depois te ligo.
- Tchau.
(Ele sai. Ela vai ao computador e procura no Google o que é blasé)
- Falei que era blasé.