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A morte do corpo

May. 5th, 2012 | 03:33 pm

Nos recantos da alma, o sangue arrefeceu. O corpo tombou, a água secou no fio da lâmina. O ser foi fingindo, não ficou.

A mágoa já não adormeceu, ficou para lá do convalescente, do momento.
A verdade é que a mágoa está no caminho dos dias.

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A minha nova casa

Oct. 25th, 2011 | 10:32 pm
mood: calmcalm
music: Sérgio Godinho (A Galinha é a dona dos ovos)

A minha nova casa é um espanto!
Deixa-se invadir facilmente pela luz do dia ou pelo artifício da noite. É grande de tão pequena, é tão aconchegada de tão nossa.
A minha nova casa tem retângulos que são janelas, e janelas que são estradas. A minha casa é quase tão velha como eu, mas tem em si a nobreza da primeira juventude. De canto em canto, tudo vale a pena descobrir e de tudo nos podemos orgulhar: eu e a minha nova casa.

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A Madeira é um jardim

Sep. 17th, 2011 | 03:59 pm
mood: cheerfulcheerful
music: Vitorino e Tito Paris (Joana Rosa)

Disseram-me um dia que uma canção confirmara a verdade: a Madeira é um jardim. E mata a fome de beleza que a alma costuma trazer.

As ruas não têm ansiedade. Ou melhor: não transparece. A Madeira tem um encanto sereno que se sente, que permanece ao estar presente. As gentes são generosas, são de simples cansaço, de simples o seu embaraço quando afirmamos ser difícil ver o céu.

Garanti, garanto-te:

Quando voltar, voltarei a tratar por tu todas as liberdades do mundo. Na bagagem virá aquilo que ficou por vir: todos os discusos por fazer, todos os contextos por discutir. Trarei as saudades do meu canto e as queixas: que embaladas no cansaço não são mais que a própria saudade queixosa.
Quando lá voltar, serei de novo e tentativa da poesia e já não serei mais do mundo dos senhores.

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Jul. 20th, 2011 | 11:48 pm
mood: calmcalm
music: Carlos Mendes (Lisboa, Meu Amor)

Hoje decidi voltar a escrever.
Até já!

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Cravo de S.João

Jun. 28th, 2011 | 12:04 am
mood: contentcontent
music: António Zambujo (Cravo de S.João)

'Quando a vi ela trazia
Bem juntinho ao coração,
Como um hino de alegria
Um cravo de são João.
Passou por mim apressada
Da primeira vez que a vi
Achei a moça engraçada
E nunca mais a esqueci.

Vinha bonita
Com o seu vestido de chita,
Tinha uma graça infinita
Tinha um ar bem português.
O meu olhar
Pousou nela como um beijo
E fiquei com o desejo
De a encontrar outra vez.

Fez-me o destino a vontade
Novamente a encontrei,
Mas para falar a verdade
Que diferença eu lhe achei.
Elegante no trajar
De luxo e ostentação
E uma orquídea no lugar
Do cravo de são João.

Vinha elegante,
Num vestido extravagante,
E tinha um ar petulante
Que cheirava a perdição.
Naquela orquídea
Sua vida se resume
Porque perdeu o perfume
Do cravo de são João'

                  Aníbal Nazaré/M. Assunção


Porque usamos a orquídea no lugar do cravo. 
Mas eis que chega um S.João...

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