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I'm ready to fly...
28 October 2006 @ 09:13 am

- Porque você não olha para mim?
- Porque tenho medo de olhar nos seus olhos e você conseguir ver tudo aquilo que minha alma esconde. Que você consiga ver tudo aquilo que eu sinto por você. Tenho medo de me perder nesse seu olhar, tenho medo que ele me puxe para dentro e eu não tenha como retornar.
- Ah... Porque o sol bate neles.

- Porque você está tão longe de mim?
- Porque tenho medo das consequências da proximidade. Tenho medo de cometer algum erro que irei aproveitar no momento, mas com certeza me arrependerei depois.
- Porque o sol bate justo aí perto.

- Porque você está tão calada?
- Porque novamente meu querido, tenho medo das consequências dos meus atos. Tenho medo de proferir alguma palavra que você pode não gostar, e pode responder de maneira rude. Porque se eu abrir a boca, falarei a coisa que anseio falar desde que me entendo por gente.
- Porque estou ficando rouca.

- Você quer alguma coisa?
- Sim quero... Quero você aqui, comigo. Quero você para sempre, quero que você sinta por mim o mesmo que sinto por você. Quero que você sinta minha falta quando eu não estiver presente, quero que você nunca se esqueça que pode contar comigo... Quero que você goste de mim como gosto de você.
- Não... Estou bem assim, obrigada.

- Você tem certeza que está bem?
- Não... Não estou nem um pouco bem. Estou caindo cada vez mais e sei que você não poderá me segurar... Sei que estou sozinho e o único lugar que eu encontraria conforto seriam nos seus braços. Sei que por mais que eu chore, não terei você do meu lado. Não, eu definitivamente não estou bem.
- Estou ótima.

[ E este é o ser humano. Que muitas vezes pensa naquilo que quer dizer, mas nunca diz aquilo que pensa. ]

{A chuva molha o assoalho coberto pelas flores que não cansam de nascer. O ponteiro não cansa de fazer tic tac e eu ainda consigo ouvir os sons da verdade propriamente pensada, mas nunca dita. As falsas palavras quebram o vidro que se quebra silenciosamente no chão, acordando aqueles que dormiam o sono dos pecadores.}

 
 
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28 September 2006 @ 03:41 pm

- Isso foi de cuzão.

- Ah claro.. E você sabe quando uma pessoa é cuzona ou não?

- Lógico. Eu tenho um sensor para isso. É como se emanasse um cheiro. Tipo cheiro de sexo sabe? Por mais que a pessoa não fale que ela fez, você sabe que ela fez. Porque o cheiro está lá.

- Você tem noção do que você acabou de falar agora? Quer comparar cuzonisses com sexo?

- Eu ficaria muito grato se os senhores fizessem a gentileza de parar com este diálogo.

- Lógico. Minha namorada foi cuzona comigo, logo depois que a gente fez sexo. Logo, eu sinto o cheiro de ambas as coisas no ar.

- Cacete... O que a Ju fez?

- Fez a ousadia de me comparar com o ex dela. Vê se pode?

- Eu não sabia que minha amiga era capaz disso... Mas qual o problema dela ter te comparado com um ex? Quero dizer, eu faço isso o tempo todo com o Carlos.

- E ele não se importa?

- Deve se importar... Sei lá, não ligo muito pra isso. 

- É horrível quando sua namorada compara sua trepada com a trepada do ex. Quero dizer... É o mesmo que se ele estivesse na cama conosco. Ou se nós comparássemos o tamanho dentro de um banheiro.

- Se ele não gostasse, teria reclamado. Acho. Enfim, vamos descer mais uma e brindar.

- Brindar o que?

- O fato de que todos somos cuzões uma vez na vida.

- Amém!

(Eles então levam o copo na mesa. E então o Pedro, que até então manteve sua opinião guardada para si, soltou a seguinte sentença.)

- Mas sinceramente... A Ju é a melhor de todas.

 
 
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07 September 2006 @ 03:43 pm
Mulher é ruim de TÃO complicada.
Quando elas querem, elas realmente querem. Mas quando não querem, nem adianta tentar.
E assim é a Maria, de signo Gêmeos e uma lista enorme de qualidades e defeitos.
Maria, certo dia em uma festa, conheceu João, e não, eles não foram felizes como nas histórias de Joãozinho e Mariazinha, muito menos como nos exemplos ridículos que os professores costumam dar, para explicar algum tipo de reprodução sexuada.
Ela começou a gostar dele. E ele não deu nenhum sinal de que estava gostando - Mesmo assim continuava ficando com ela, porque é assim que os homens são.
Certo dia, Maria fez uma análise de toda sua vida até aquele presente momento, e viu que algo não estava certo, que algo não encaixava.
Afinal, ela é a Maria, do signo de Gêmeos  com uma lista enorme de qualidades e defeitos.
Uma das qualidades é a sua inocência, de acreditar nos outros, principalmente nos homens.
Um dos defeitos, é que seu orgulho é maior que todo o universo.

E ela estava com seu orgulho rebaixado, por um ser que julgava que as mulheres eram complicadas.
Agora ele ia ver com quantos paus se faz uma canoa.
 
 
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30 August 2006 @ 02:39 pm

- Você está aqui, eu estou aqui. Porquê não fazemos essa merda de uma vez?

- Porque eu não quero.

- Depois, quando eu falo que mulher é um caos, ninguém acredita, falam que eu sou machista isso e aquilo. E não vem com esse papo de estar pronta ou não. Você está pronta há muito tempo.

- Eu achei que estivesse. Mas descobri que não estou. E esse foi um comentário machista sim, seu homenzinho de merda! Não é só porque você é homem, que acha que pode vir me julgar aqui sem mais nem menos! Aposto que você também teve dificuldade na sua primeira vez.

- Óbvio que não tive. Mas voltando... E todas as preliminares foram pra quê então? Para chegar na hora H e você não conseguir fazer?

- Porra. Eu sei que nós tivemos preliminares e tal, mas como finalmente chegou a hora, não sei se estou pronta. Vocês são um problema.

- Nós somos um problema? Você está ouvindo o quê você está dizendo?

- Claro que estou. Mesmo com esse barulhão aqui, e o seu negócio aí me pinicando, eu ainda consigo ouvir direito!

- Agora você vai colocar a culpa em mim? Sinceramente, nunca vou entender as mulheres. Vivem falando que querem saber como é, que são curiosas aí chega na hora do vamo vê, vão embora!

- Quer saber de uma coisa? Vamo acabar com essa merda de uma vez. Pôe logo essa coisa que eu não vou esperar muito tempo.

- ÓTIMO! Pronta?

- Não, mas fazer o que...!

15 minutos depois...

- Foi demais! Eu sabia que você era bom, mas não sabia que era tanto! MUITÍSSIMO OBRIGADA por ter me ensinado!

- Devo admitir que você também estava ótima. Quero dizer, para sua primeira vez, foi surpreendente.

- Óbvio, você foi um ótimo professor! Vou recomendar você para todas minhas amigas!

- Fala que a primeira vez é de graça.

- Melhor! Vou anunciar nos jornais! "Tenham aula com o melhor pára-quedista de toda a cidade!"

- Não precisa exagerar né... Ei, que tal irmos tomar um café?

[ Moral da história: Eu disse que ia ser sobre sexo?]

 
 
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27 August 2006 @ 09:17 pm

- Vocês tem noventa para o término da prova.

" Cacete, fodeu. Vamos nos concentrar."

"..Qual a probabilidade de acerto entre.."

"Seria bem mais fácil se ele gostasse de mim. Sério, ele não tem que ficar com ela.. Até porque eu aposto que ele só está com ela para ter uma trepada ocasional. Se ele ficasse comigo, ele não teria uma trepada ocasional, mas teria alguns - muitos - amassos diários. Isso é garantia.
Além do mais... Modéstia a parte eu sou uma pessoa bonita e muito legal. Inteligente também. E ele ficou que eu sou amiga! Então tenho várias coisas ao meu favor.
Cacete, concentração!

"..Qual a probabilidade de acerto entre.."

Será que ele não fica comigo porque eu virei muito amiga dele? Vai ver é isso. Acho que eu devo ter alguma placa indicando que eu sou uma amiga legal e que podem desabafar comigo.
Acho que um perfume tinha que ser inventado, ou algo do gênero, assim nós o usaríamos e os homens veriam quando nós estamos afim deles ou quando queremos ser apenas amigas.
Eu ouço ele com o maior prazer, MAS PELO AMOR DE DEUS, beije-me antes.

"..Qual a probabilidade de acerto entre.."

Então.. Qual a probabildade de eu encontrar ele em alguma balada? Aposto que nulas. Falando em festa, tenho que decidir que roupa vou usar na festa de semana que vem. Se eu deixar para a última hora, fodeu.
CON-CEN-TRA-ÇÃO!

"Se eu fosse você, parava de ficar divagando sobre os problemas, e pensava na partenogênese."

Ótimo, um bilhete! Tudo que eu precisava no meio de uma prova. Será que não querem aproveitar e fazer uma guerrinha de bolinhas de papel?

"E se eu fosse você, deixava eu fazer minha prova em paz!"

"Mas você nem está fazendo a prova! Vamos, conte-me, qual é o seu problema?"

"Tirando o fato de que eu nem sei o que é partenogênse, e que eu já reli a questão 10 umas quinze vezes, nenhum acho."

"Vamos, você não me engana. Conte-me, quem é o bofe da vez? E a propósito, a resposta da 10 é A."

Merda merda merda! Porque minha melhor amiga tem que estudar na mesma sala que eu? 

"Quem NÃO é o bofe dessa vez, você quer dizer. E sua burra, as provas são diferentes."

Merda merda merda. Porque minha melhor amiga tem que ser uma mula?

"Ah, é verdade. Se fodeu. Bom, boa prova, depois conversamos."

Filha da puta. Me distrai por completo e agora me deixa aqui aos lobos. Eu sinto que essa questão está olhando pra mim e rindo. Será que os astros conspiram contra a minha vitória? Aposto que sim.
Deus não me ama. Essa é a única resposta plausível para essa quantidade de merda.

"..Qual a probabilidade de acerto entre.."

"Tô entediada. Anda, vamos conversar."

"E eu quero terminar minha prova. Você é cega ou o que?"

"Educação mandou lembranças. Chuta qualquer uma, você vai ir mal de qualquer jeito."

"Meu Deus, agora só falta você falar que as minhas chances de beijar ele são nulas."

"..."

"Filha duma puta!"

"Mas é a verdade. Pensa só.. Não precisamos ficar nem no lado do sexo - mesmo sendo um fator de importância - mas analisemos todos os pontos. Ela é mais velha, ela pode pagar as coisas para ele. Sem contar que ela é daquelas idiotas apaixonadas que acreditam em qualquer coisa que o namorado delas fala. Porque ele trocaria ela por uma mulher independente, feminista e mão de vaca?"

Mesmo ela tendo enumerado todos os meus defeitos.. Ela tem razão. Porque ele faria isso?

"Porque eu sou uma menina legal, gentil e que faz ele sorrir sempre? E que leva doce pra ele quando ele tá triste?"

"VIU SÓ! SUA IDIOTA, VOCÊ BAJULA ELE! Não é a toa que ele não termina com ela!"

Não entendi a linha de raciocínio dela, mas não vou discutir, já que quero terminar minha prova. Mas é.. Acho que ele precisa de um gelo. Eu sempre faço tudo o que ele quer, sem me importar com o que eu posso fazer, e com o que eu não posso fazer. 

"Olha, me desculpa. Não queria ser tão realista mas essa é a verdade. Os homens são assim."

"Não é só porque ele tem um pinto no meio das pernas que ele tem que ser igual aos outros. Mas tanto faz, agora eu quero acabar minha prova! Imagina se o professor pega esse bilhete!?"

Quais as probabilidades de eu aprender a controlar meu coração? Nulas. Voltemos a prova.

"..Qual a probabilidade de acerto entre.."

- Tempo esgotado.

Ótimo.. Qual a probabilidade de eu ter ido bem nessa prova?.."

 
 
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20 July 2006 @ 10:52 am

É engraçado como nós paramos para pensar na vida enquanto fazemos as coisas mais banais e mais nada a ver.
Lá estava eu fazendo macarrão ao molho branco com presunto - eu não sei o nome oficial, mas já é uma conquista eu saber como se faz - quando de repente me veio a cabeça algumas idéias que geralmente, eu só tenho quando não estou fazendo absolutamente nada. Coloquei uma pitada de tempero, e pensei porque na nossa vida, não podemos colocar temperos para ela ficar... hm... saborosa, se vocês preferem ler assim.
(Não, eu não estou falando do sexo propriamente dito, mas de alguém que possa estar comigo para deixar a vida mais apimentada.)
Tirei o macarrão do saco e o quebrei, para ele cozinhar mais rápido, sabe como é né... Odeio ficar cozinhando por muito tempo. E aí me veio outra idéia: Por que o macarrão pode ser limpo de suas sujeiras, apenas passando água e tal, enquanto nós temos que passar poucas e boas para nos redimir, e ainda assim nos sentimos culpados? Culpados naquelas né, porque o conceito de certo e errado nós estipulamos - e talvez seja por isso que o mundo está o caos que está, mas eu estou falando do MEU macarrão e do MEU mundo então.
Enquanto o macarrão é limpo eu fatio o presunto e tal, e jogo dentro da panela aonde está o molho. HÁ, isso é engraçado. O presunto se mistura no molho mas não perde sua característica, já a gente quando nos misturamos com algo diferente, temos que nos adaptar as leis de determinada região/ religião/ cultura/ mimo da pessoa.

Enquanto eu espero, eu apenas sento na cadeira e fico pensando: Por que os objetos que nós temos de lidar no dia a dia, tem a "vida" mais simples que a nossa? Nós que os fabricamos merda. Nós que deveríamos ter a vida mais simples que a deles. Mas me digam se isso acontece? Não! Nós gastamos nosso dinheiro e nosso precioso tempo os comprando, fazendo com que eles não apodreçam nas prateleiras, e a vida deles é mais simples que a nossa. Mundo injusto.
Coloco o macarrão na panela e enquanto espero ele ficar pronto fico pensando no tempo que nós gastamos todo o dia para fazer coisas desnecessárias, enquanto nós poderíamos fazer coisas extremamente úteis, como fazer a vida de alguém feliz etc e tal.
É bom pensar nos outros de vez em quando sabe... Aí eu vejo que eu penso DEMAIS nos outros e esqueço de pensar em mim, o que na maioria das vezes me faz sofrer.

Olha, o macarrão está pronto. E acabou outro momento de reflexão que não me levou a nada.
Bon appetite

 
 
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26 June 2006 @ 10:19 pm

Era simples assim.
Ela sabia, assim como ele e todos os outros, que nunca seria capaz de entender o porquê das coisas terem dado errado, do jeito que deram. Por mais que tentasse se esforçar, não entendia, e isso a matava por dentro.
Não o fato de o ter perdido, mas o fato de que alguma coisa tenha realmente dado errado. O que é muito engraçado, porque geralmente, era ela quem deveria dar as cartas, e dizer quando algo dava errado. (E, digasse de passagem, todos sempre abaixavam as cabeças e obedeciam.)
Abriu as janelas do apartamento escuro, que a muito estava fechado, já que ela passara a dormir na casa dele com mais frequência. Estavam quase morando juntos.
Maldita linha que separa os extremos. Que apresenta o quase no meio do jogo.
Abriu uma garrafa de vinho caro - que obviamente, ela havia roubado do apartamento dele - e o abriu, servindo-se de uma taça. Era tinto, o seu preferido.
Sentou-se perto da janela, e girou a taça, vendo o vinho se mexer com uma certa sequência.
Olhou para a fora, sem analisar um ponto específico, analisando quando que as coisas começaram a sair de seu controle. Não estava certo, não era para eles terminarem.
Viu que começara a chover, e que as gotas de chuvas caíam pesadamente nas ruas, sem nunca molhar o seu território. Mas isso não a preocupava, já que não era uma garotinha.
Sendo assim, não iria ficar se remoendo como uma idiota, que chora as lágrimas com a primeira amiga que aparece, porque isso sinceramente, não era de seu feitio.
Mas lhe intrigava, o fato de ele ter dispensado uma mulher como ela. 
O corpo? Não era uma modelo, mas quem seria?
Possuía respostas rápidas, e uma mente audaz. Ele costumava dizer que seus olhos eram afiados e viam de longe a situação e as circunstâncias nas quais se encontravam.
Não deixava nada passar barato; Não levava desaforo para casa, simplesmente porque sabia que isso faria com que ela morresse cedo.
(E a última coisa que ela queria, era deixar o mundo sem a sua ilustre presença).
Aquela insistente melodia soava em seus ouvidos, como aquela música ruim que você escuta alguém cantarolar no metro, e simplesmente não consegue se lembrar de onde a conhecia.
Mas ela sabia aonde ela tinha escutado. Sabia muito bem quando, com quem e onde.
"Bastardo." Ela murmurou, tomando um gole do vinho quase esquecido na taça.
Lambeu os beiços e por um breve momento, flashes vieram em sua mente das tórridas noites que passaram juntos.
E agora, ele estava com outra. Suas noites tórridas agora, eram com outra.
"Canalha." Cerrou os olhos, e bebeu outro gole de seu vinho.
Juras de amor... Há! Quem ele pensara que ela era? Uma garotinha ridícula de ginásio, que se derretia de amores pelo primeiro que falasse "Eu te amo" para ela? Não... Nunca fora e jamais seria esse tipo, porque não era de seu feitio.
"Cretino." Então, o que era do seu feitio? Ela pensou, virando outro gole, goela abaixo.
Estava acostumada a ter todos na palma de sua mão, com sua ginga sedutora, com seus olhares atravessados, e com seu sorriso provocante. Sabia que o exterior era que os interessava, e era apenas isso que ela precisava.
Ele tinha feito com que ela ficasse em dúvida de todo o modo que ela levava sua vida, desde que se entendia por gente. Afinal, pisava em quem quer que passasse pelo seu caminho, já que ela queria as coisas do modo dela. Quando ela queria e porque ela queria.
Será que estava deixando de ser atraente? Será que não provocava mais a atenção dos homens, mesmo aqueles bem-casados?
Filho da puta, como se atrevia a colocar em dúvida seu poder de sedução?
Deu de ombros. Vai ver já estava com esse pensamento há muito tempo, ele só estivera adormecido. E assim, quando ele disse já chega, ele despertou esses pensamentos.
Será que, apesar de fazer todos rastejarem sobre os seus pés, ela tinha o direito que querer algo mais que isso? De querer um príncipe encantado, em um cavalo branco, com um buque de rosas nas mãos, pronto para salvá-la do inferno que era sua vida?
"Claro que não." Ela não tinha o direito de nada, e sabia. Já que ao mesmo tempo, tinha todos os direitos do mundo, com esse exterior encouraçado e tentador, que Deus lhe concedera.
Era simples assim.
Ela queria, os outros cediam, e assim a vida seguia seu curso.
Mas ela queria mais. Queria descobrir que desejo latente era esse, que crescia em seu peito.
Ouviu batidas insistentes na porta. 
Levantou-se com a melodia partindo para os acordes mais agressivos da música.
Abriu a porta, e não viu ninguém mais, ninguém menos que ele.
E então, sem mais nem menos, ele a agarrara, e a beijara de uma maneira avassaladora, quando a última coisa que conseguia lembrar, era a taça de vinho esquecida em cima de uma mesinha, ainda sem ter sido terminada.

Simples assim.
Enrolou-se em um robe que estava jogado no chão, e abriu as cortinas, deixando a luz do sol iluminar todos os pontos escuros do quarto, que ainda mantinham o cheiro de sexo da noite passada. Os lençóis ainda estavam enrolados em cima da cama, da mesma maneira como ela havia deixado na última noite.
Depois da noite, teve o luxo e o prazer de o expulsar de sua casa, alegando que um remember era sempre bom de vez em quando, mas quem ditava as regras era ela, e ele deveria saber disso, e ter pensado duas vezes, quando a dispensara no dia anterior.
Pegou aquele vinho do dia anterior e o cheirou, vendo se estava bom para tomar.
Depois que se certificou, sentou-se na mesma poltrona do dia anterior, e voltou a analisar um ponto qualquer do lado de fora da janela. Agora não estava mais chovendo, e as pessoas passavam correndo, aparentemente atrasadas para o trabalho.
Sorriu presunçosa, acreditando que o dia teria mudado por sua causa, já que agora estava de bom humor.
Não teria mais nenhum relapso igual ao da noite passada.
Não duvidaria mais de suas capacidades, e nem deixaria que outro a fizesse duvidar.
Se era apenas o exterior, era apenas problema dela, e isso não interessava mais a ninguém.
Terminou o seu vinho e jogou a taça para fora da janela, pensando o que faria no dia de hoje.

[Pequeno texto de minha autoria, que fluiu, de repente, sem eu nem consegur controlar.]

 
 
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21 June 2006 @ 11:14 pm

E soa o apito, iniciando o primeiro tempo.
A bola foi colocada em campo, e todos os jogadores estão correndo atrás dela, para tentar fazer, pelo menos uma vez, as coisas certas.
Eles correm, sem se importar com as pessoas que passam ao seu lado, sem se importar realmente consigo mesmos. Correm, atrás de um objeto que julgam ser importante.
Isso pode ser feito com uma bola; Mas não com uma pessoa.
A vida pode ser analisada como um jogo, que tem um determinado tempo de duração, e durante esse tempo, temos que marcar um gol, para que nós estejamos completos. (Isso para aquelas pessoas que necessitam de coisas desse tipo. - Ou seja, todas as pessoas).

Jogo.: s.m 1. Divertimento; 2. Exercício ou passatempo recreativo que se sujeita a determinadas regras; 3. Apostas; 4. As cartas ou peças que se distribuem a cada parceiro e com que ele deve jogar.

Essa descrição cabe a qualquer tipo de jogo, desde ping pong, até futebol.
Mas não a nossa vida.
Não aos nossos sentimentos.

Tudo aquilo que sinto, tudo aquilo que digo, não é uma carta qualquer que eu jogo a deriva, esperando que alguém a escolha. Esperando que alguém a jogue, da maneira correta, para tentar vencer o jogo, e então se declarar o todo poderoso. (Porque, convenhamos, é isso que todos querem.)
E então, como não conseguimos ser idiotas por muito tempo, descobrimos que tudo não passava de um jogo, de uma farsa. 
O que eu faço, ou deixo de fazer, não é um divertimento, muito menos uma farça. Não se pode apostar na minha próxima atitude, até porque ela não é tão previsível assim. Você tem 25% de chances, de apostar no time errado.

E pode ter certeza, se depender de mim, eu farei com que os 75% valham a pena.
(Porque simplesmente, me enoja o fato de você achar que me tem na palma da sua mão)

E então, após essa descoberta, soa o apito do primeiro tempo, indicando que temos um intervalo para pensar em tudo que está realmente acontecendo, e ponderar sobre nossas atitudes.
Em um jogo normal, de futebol, temos mais ou menos 15 minutos. 
Na vida não temos esse tempo.
Para ser sincera - ou talvez irônica, você escolhe - não temos tempo para nada, mas ao mesmo tempo, temos todo o tempo do mundo para fazermos a escolha certa.

Ótimo. Listemos então, porque não se deve apostar nos sentimentos humanos.
1. A pessoa escolhe, se quer que o resultado de como os outros pensam, ou não.
2. Não existe o tempo necessário para saber se nós podemos corrigir nossos sentimentos.

E então, começa o segundo tempo.
O apito soa estridente aos nossos ouvidos, informando que chegou a hora de agir.
Chegou a hora de corrigir nossos erros, ou então cometê-los, se for para o bem maior - ou quem sabe, bom apenas para nós mesmos.
Engraçado... Nós temos um apito interior, que nos indica a hora de agir.
Mas então, porque as vezes nós preferimos não escutá-lo? Será que é porque temos medo do que pode acontecer? Será porque nós não temos certeza do que queremos?

Só sei de uma coisa.
Não quero mais ser uma peça no seu jogo, muito menos depender de suas apostas, com relação a esse joguinho idiota.
(Porque nós, peças, também temos o direito de nos rebelar contra aqueles que acham que nos comandam.)
Não existe minutos de acréscimo para você. 
Cansei de joguinhos. Cansei de apostas.
Agora quem vai tomar as rédeas da situação sou eu.

E soa o apito final.
Fim de jogo.
(Ou, quem sabe, eu vou anunciar quando o jogo vai terminar, porque agora, quem tem o apito, sou eu.)

 
 
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10 June 2006 @ 08:58 am

Ás vezes, me pego pensando, quem estipulou a ordem das coisas.
Quem disse que o dia teria que ter 24 horas, que a semana teria 7 dias, que o mês teria (mais ou menos) 4 semanas, e que o ano teria 12 meses...
Quem disse que o ano deveria ter quatro estações (aqui pelo menos é assim).

Muitos dizem que o tempo, o clima, o universo que estipula esse tipo de coisa.
Mas como ele pode estipular isso, se nem ele mesmo sabe quem o estipulou?
(o universo não tem vontade própria, mas ainda assim, se tivesse, aposto que pensaria sobre isso.)

E quem disse, que nós necessariamente temos que envelhecer, quando comemoramos nosso aniversário?
Claro claro, nosso exterior envelhece, mas e a nossa mente, nosso interior?
Quem sabe, eu esteja ficando mais velha.
Quem sabe, esse dia não significou nada para mim.
Ou até mesmo, como eu disse, foi apenas um dia, de uma semana com sete dias, de um mês com 4 semanas, de um ano com 12 meses.

E ela se pega pensando, porque a sala está toda decorada com bexigas coloridas, com vários doces e salgados em cima da mesa, se não tem ninguém para cantar parabens para ela, já que todos os seus conhecidos se foram.
Assoprando a velinha, ela pede para continuar sendo feliz.
(Ou pelo menos tentando, já que a felicidade é um conceito muito relativo, para meros humanos entenderem.)


 
 
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22 May 2006 @ 03:16 pm
Será que eu posso me queixar do que está acontecendo ultimamente, ou terei que permanecer em silêncio? Provavelmente em silêncio.

Não sou muito de me queixar do que acontece a minha volta, nem do que acontece comigo mesmo. Mas as vezes, nós ficamos com o saco um pouco mais cheio que o normal, e isso faz com que nós tomemos atitudes... Drásticas, se fôssemos ver por esse ponto.

Aliás, a partir de que ponto, devemos começar a analisar as coisas?
E desde quando, nós temos que analisar todo e qualquer ato que alguém toma?

Não faço a mínima idéia. E essa, é a melhor parte.

Querem tentar começar do começo? Ótimo.
Se você que está lendo isso aqui for esperto o bastante, perceberá que eu comecei com rodeios 
sem nenhuma base ou fundamento, tentando apenas te confundir, para chegar no ponto que eu queria.
Ou, se quiser analisar por outro ângulo, talvez eu não saiba o que dizer exatamente, e precisava 
tirar um pouco dessa confusão da minha cabeça e passar para cá.

Fosse como fosse, está aqui.

Tinha prometido a continuação de Gostar.
Mas, honestamente, eu não sei que rumo tomar para continuar aquele texto, já que eu não sei em
que ponto devo analisar.
Vocês podem ter achado que eu iria falar do que está acontecendo em São Paulo e tal. Mas eu gostaria de ver um único motivo para fazer isso, já que os jornais estão dando muita importância e criando muitos boatos em relação a isso.

(Sendo sincera? Decidi ser um pouco egoísta também. Dá licença?)

Mas voltando... Vamos analisar sobre esse ponto: Eu realmente gostaria de ser uma pera.
Ou melhor. Eu gostaria de ser a pessoa que escolhe a pera.
Aí vocês falariam: Mas você ESCOLHE a pera.
Aí agora, eu te mando a merda, por você não ter entendido que tipo de pera eu estou falando.
(Se você me mandar para o feirão, para mostrar a pera, eu sinceramente, desisto)

Então: Por que, pera, você não gosta de mim?
(Aí agora, a pera fica em silêncio, permitindo que eu a coma a vontade.)

Isso SIM seria bom.
Mas como eu disse: Esse foi o ponto que EU escolhi.

Bom, acho que não fiquei em silêncio.
Hora de agir? Quem sabe.

Por enquanto, tento me conformar a ser uma pera na sua vida.
 
 
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15 May 2006 @ 07:08 pm
Egoísmo: s.m. Amor exagerado ao bem próprio, com desprezo ao dos outros.
Essa seria a definição exata, caso a gente decida definifir o que está acontecendo na cidade.
Mas não existe definição para o que está acontecendo no nosso estado.
No nosso país.
Um local que deveríamos considerar uma nação, um local que deveríamos considerar uma terra onde os povos são unidos, apesar das diferenças.
Mas não.
Aparentemente, as pessoas não querem mais saber disso, querem apenas matar matar matar.
Serem egoístas.
Poderia me revoltar, falar que tudo está sendo injusto, mas de que adiantaria?
De nada.
Sem contar que... nós nunca imaginamos que isso iria acontecer com a gente não é mesmo?
Certo certo, posso estar sendo um pouco dramática, mas está, realmente acontecendo.
Não está acontecendo COMIGO, mas está acontecendo com um semelhante, com uma pessoa que para os católicos, foi criada por Deus; para os cientistas, corpos que possuem um mesmo organismo com diferentes doenças.
Para mim? Um ser humano, com seus sentimentos, que espera pacientemente o seu retorno ao lar, para sua família. E, por causa de alguns egoístas, tem esse retorno interrompido, fazendo com que eles percorram outro caminho.

Depois, ainda começam a rir, quando eu digo que quero ser uma pêra.
 
 
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03 May 2006 @ 07:22 pm

Sinceramente?
Eu poderia vir aqui e dizer mil e uma histórias de como tudo está dando errado, de como a vida é difícil e patati patatá. Mas isso ia mudar alguma coisa? Acho que não.
Eu poderia escrever também o motivo de tanta frustração, mas ao mesmo tempo, não ia adiantar nada.
Então vocês se perguntam: Porque eu escrevo.
Pelo simples e único fato: Porque eu gosto.
Gostar: v.t.i 1. Achar saboroso. 2. Sentir prazer. 3. Ter simpatia, afeição, amizade. (...)
Como uma palavra vasta como essa, pode ter tão poucos significados no dicionário? Ela pode abranger tantas coisas, desde gostar de uma pêra, até gostar de uma pessoa.
Vamos especificar uma coisa então: A pêra não corresponde nossos sentimentos.
E outra coisa: A pêra não tem como escolher se quer ou não ficar com a gente.
Sinceramente?
Gostaria de ser uma pêra.